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    O Capacete da Salvação – Vincent Cheung



    O capacete era “a parte mais ornamental da armadura primitiva”, e Paulo usa esta peça atrativa da armadura para representar a salvação: “Tomem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17). Charles Hodge escreve:

    O que adorna e protege o cristão, que o capacita a levantar sua cabeça com confiança e alegria, é o fato que ele está salvo. Ele é um dos redimidos, transladados do reino das trevas para o reino do querido Filho de Deus. Se ainda debaixo de condenação, se ainda alheio a Deus, um estrangeiro, um alienado, sem Deus e sem Cristo, ele não poderia ter coragem para entrar neste conflito. É porque ele é um cidadão dos santos, um filho de Deus, um participante da salvação do evangelho, que ele pode enfrentar os inimigos mais potentes com confiança, sabendo que ele será sempre mais do que vencedor através daquele que o amou.

    Em certo sentido, Deus revela Sua bondade a todos: “Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mateus 5:45). Mesmo aqueles hostis a Deus devem depender constantemente de Seu sustento para a sua própria existência, “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28). Todos deveriam ser comovidos pela bondade de Deus, e, assim se arrependerem a Deus e crerem em Cristo. Mas sem a decisão soberana de Deus, eles não se arrependem e crêem, e nem o podem fazer; portanto, a bondade geral de Deus resulta na condenação eterna dos réprobos.

    A Escritura nos mostra que a graça salvadora de Deus é revelada somente aos Seus eleitos –– Seus escolhidos –– e os ímpios não têm parte nela:


    “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar” (Lucas 10:22).

    “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44).

    “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Efésios 1:4-6). 

    Assim, a salvação distingue os cristãos do resto da humanidade. Os cristãos são o povo escolhido de Deus: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Todos os outros seres humanos são não-salvos, porque Deus não os escolheu.

    O capacete pode representar a salvação do cristão de outro modo significante, além de sua atratividade, a saber, “Tomar é realmente receber ou aceitar (dexasthe). Os itens anteriores foram dispostos para o soldado apanhar. O capacete e a espada deveriam ser entregues a ele por um assistente ou por seu carregador de armadura. O verbo é apropriado para a 'inquestionabilidade' da salvação”. 

    O capacete representa apropriadamente a salvação cristã, não somente por causa da sua atratividade, mas também por causa da maneira na qual o cristão o veste. Embora o adornar as outras peças da armadura dependa da volição do crente, a salvação é totalmente dependente de Deus.  Jesus lembra aos Seus discípulos: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” (João 15:16). O cristão não deve se elogiar que ele tenha “aceito a Cristo”,  pois é melhor e mais sábio do que os incrédulos em si mesmo, quando na realidade foi Deus quem soberanamente o escolheu e aceitou: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”. A única razão de sermos capazes de amá-Lo é “porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Assim, no lugar de auto-congratulação e ostentação, deveríamos oferecer ação de graças a Deus, que nos escolheu e nos mostrou misericórdia, não por causa de qualquer prévia condição em nós, mas por causa da sua soberana vontade.

    Com respeito a se há qualquer significação em a salvação ser representada por um capacete, alguns sugerem que “a metáfora refere-se a pureza de mente”,  mas outros dizem que isto pode ser “muito imaginativo”. Para entender corretamente a passagem, não deveríamos aplica a metáfora de uma forma que exceda a intenção do escritor; contudo, mesmo que Paulo não enfatize explicitamente o intelecto com o capacete como uma metáfora, muitos elementos durante toda a passagem implicam em tal ênfase.

    Por exemplo, verdade, justiça, o evangelho, fé (tanto em seu aspecto subjetivo e objetivo), salvação, e a palavra de Deus, implicam em conteúdo intelectual para ser entendido pela mente. Portanto, mesmo que fazer da salvação um capacete não seja em si mesmo uma tentativa de enfatizar a compreensão intelectual da soteriologia, a inclusão desta ênfase é inescapável. Em outro lugar, Paulo escreve, “[As Escrituras] são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15). A sabedoria salvadora vem de uma compreensão intelectual da Bíblia, aplicada às nossas mentes para efetuar conversão e santificação pelo Espírito Santo.

    Temos derivado diversos pontos à partir da metáfora de que a salvação é como um capacete para o cristão. Primeiro, a salvação é “a parte mais ornamental” do Cristianismo, tanto que “até os anjos anseiam observar” (1 Pedro 1:12). Além disso, a fé com a qual afirmamos o evangelho não “não vem de nós mesmos, é dom de Deus”, para que “ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Em adição, é de extrema importância que obtenhamos uma profunda compreensão teológica da salvação, visto que somente então estaremos apropriadamente vestindo o capacete da salvação, que é capaz de nos proteger de numerosas falsas doutrinas que rodeiam o assunto.



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