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    Os Irmãos Karamazov e o sofrimento.



    Em Os irmão Karamazov, Dostoiewski levanta a questão do sofrimento dos inocentes:

    "Trata-se de uma menina de cinco anos, por quem criara aversão seu pai e sua mãe, honrados funcionários instruídos e bem-educados... Aqueles pais instruídos, portanto, praticavam muitas sevícias na pobre menininha. Açoitavam-na, espezinhavam-na sem razão; seu corpo vivia coberto de equimoses. Imaginaram por fim um refinamento de crueldade... esfregavam-lhe os próprios excrementos na cara, e sua mãe, sua própria mãe obrigava-a a comê-los! E essa mãe dormia tranquila, insensível aos gritos da pobre criança fechada naquela lugar repugnante! Vês tu aquele pequeno ser, não compreendendo o que lhe acontece, no frio e na escuridão, bater seus pequeninos punhos no peito ofegante e derramar lágrimas inocentes, chamando o "bom Deus" em seu socorro?"

    Ivan, em conversa com seu irmão Aliocha, argumenta a favor do ateísmo baseando-se no sofrimento das crianças. Aliocha é um monge, enclausurado num ambiente protegido. Num confronto clássico entre um crente simplório e um ateu mundano, Dostoiewski discute o problema que o sofrimento humano levanta para a fé do cristão. Ivan diz que se espera do cristão que ele creia que linhas paralelas, que nunca se encontraram na terra, encontrar-se-ão no infinito.


    Essa imagem forte capta a dificuldade de conciliar a crença em Deus com o sofrimento do inocente nesta vida, mas deve acreditar em que ele será liberto na outra vida. Como diz Ivan, o cristão deve crer em quê:

    "O sofrimento desaparecerá... quando aparecer a harmonia eterna, uma revelação produzirá, preciosa a ponto de enternecer todos os corações, de acalmar todas as indignações, de resgatar todos os crimes e o sangue vertido; de sorte que se poderá não só perdoar, mas justificar tudo quanto se passou pela terra".

    Os salmistas regularmente lamentam não apenas o sofrimento dos justos mas também a prosperidade dos maus. As medidas de justiça, que trazem recompensa para os justos e punições para os maus, estão claramente em desequilíbrio em nossa curta vida. Como lamenta McDuff, ao saber da morte da mulher e dos filhos: "Os céus viram e não fizeram seu papel" (Macbeth, ato 5, cena 1).


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