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    Não aperfeiçoados, contudo, Perfeitos -


    "Não que eu o tenha já recebido, ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo... mas uma cousa faço... prossigo para o alvo... Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento" - (Filipenses 3:12-15).

    Existe uma escala na perfeição: Perfeito, mais perfeito, o mais perfeito. Temos os perfeitos e os que estão esperando para serem perfeitos. Assim aconteceu com nosso Senhor Jesus. No livro aos Hebreus lemos três vezes que Ele foi aperfeiçoado ou tornado perfeito. Não havia a menor sombra, por mais pálida que fosse, de imperfeição pecaminosa em Cristo. Em cada momento de Sua vida Ele era perfeito — tal e qual deveria ser. No entanto, precisava, e pareceu bem a Deus, ser aperfeiçoado por meio do sofrimento e da obediência que desse modo aprendeu. Ao dominar a tentação, ao manter Sua fidelidade ao Pai, e em meio a forte clamor e lágrimas dedicar toda a Sua vontade à vontade do Pai, a Sua natureza humana foi aperfeiçoada, e Ele se tornou um Sumo sacerdote, "o Filho, perfeito para sempre" (Hebreus 7:28). Durante a Sua vida terrena, Jesus foi perfeito, mas ainda não aperfeiçoado.


    "O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre." O que é verdade acerca de Cristo, será verdade, guardando as proporções, a respeito de nós, também. Paulo escrevendo aos coríntios falava de uma sabedoria entre os perfeitos, uma sabedoria que os crentes carnais não podiam entender. Neste nos¬so texto o apóstolo se classifica entre os perfeitos, e espera e exorta-os para que tenham a mesma atitude que ele tinha. Ele não via dificuldade em referir-se a si mesmo e aos outros como perfeitos, ou em considerar que os perfeitos ainda necessitavam continuar prosseguindo até a plena perfeição.

    Ora, pois, que perfeição é essa que ainda precisa ser aperfeiçoada? E quem são esses perfeitos? Aquele que preferiu a mais alta perfeição, e que entregou toda a sua vida e coração a fim de atingi-la, é reputado por Deus como um homem perfeito.

    "O reino dos céus é como uma semente." Quando Deus vê no coração o propósito singelo de ser tudo aquilo que é o Seu desejo, Ele vê a semente divina de toda a perfeição. E assim como Ele considera a fé como justiça, também conta esse propósito do coração de ser perfeito como perfeição inicial. O homem com um coração perfeito é aceito. Paulo pôde contemplar a Igreja e afirmar sem qualquer hesitação: "Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento."

    Sabemos que, entre os crentes de Corinto, o apóstolo descreve duas classes: uma, que é a grande maioria, é carnal e se contenta em viver em contendas; a outra, que é a espiritual, a perfeita. Na Igreja dos nossos dias, teme-se que a grande maioria dos crentes não tenha concepção alguma de seu alto chamado à perfeição. Não têm a menor idéia que é seu dever não apenas ser religiosos, mas também ser eminentemente religiosos, tão cheios de graça e santidade quanto é possível Deus torná-los. Mesmo quando há certa medida de propósito honesto, em busca da santidade: "Aperfeiçoai-vos." Mesmo havendo graça suficiente para alcançar essa exigência, o apelo divino não é atendido. Não compreendem nem aceitam o convite do apóstolo Paulo: "Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento."

    Mas, graças a Deus que não sucede assim com todos. Há um número cada vez maior que não pode esquecer o que Deus pretende dizer quando afirma "Sede perfeitos," e que se consideram sob a mais solene obrigação de obedecer essa ordem. As palavras de Cristo, "Sede perfeitos," são uma revelação do que Ele veio dar e trabalhar, uma promessa da bênção a que serão conduzidos por intermédio de Seu ensino e de Sua orientação. Eles se uniram ao grupo de crentes do mesmo parecer, a que Paulo estava ligado. Buscam a Deus de todo o coração, e O servem com um coração perfeito; seu grande propósito na vida é serem aperfeiçoados, tal como aconteceu com o Mestre.

    Meu leitor! na presença de Deus Pai, que disse "Sê perfeito!" e de Cristo Jesus, que se entregou em seu lugar, a fim de que você possa obedecer a ordem de Deus, eu o advirto para não recusar o chamado de um servo de Deus, mas coloque-se ao lado dos que aceitam a verdade: "Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos esse sentimento."

    Não tema tomar a sua posição perante Deus, juntamente com o apóstolo Paulo, entre os perfeitos de coração. Pois isso, longe de provocar a auto-complacência, Ele ensinará que o perfeito ainda precisa ser aperfeiçoado, pois a grande característica dos perfeitos é que eles reputam todas as coisas como escória, enquanto prosseguem para o prêmio do alto chamamento de Deus, em Cristo Jesus.

    A. Murray


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