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    Jamais Podemos Obrigar a Deus – Jerry Bridges


    Nunca poderemos achar que Deus nos deve algum pagamento pela nossa obediência ou pelo nosso serviço sacrificai. Mesmo se fôssemos perfeitamente obedientes em todos os deveres cristãos, seríamos forçados a dizer: "Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devía¬mos fazer" (Lc 17.10).

    Suponhamos que você obedeça perfeitamente a todas as leis de trânsito do seu estado. Você sempre anda dentro do limite de velocidade, sempre pára no sinal, mantém-se na pista certa, sempre usa as setas quando vai fazer uma conversão - sempre obedece a todas as regras de trânsito. Você recebe algum prêmio por isso? Não, simplesmente você faz o que deve fazer. Você apenas cumpre o seu dever. Pela perfeita obediência a todas as regras de trânsito, você não obriga o estado a recompensá-lo de alguma maneira. Só podemos dizer, " Eu fiz a minha obrigação".

    Como Rei soberano do universo, Deus tem o direito de exigir perfeita obediência e serviço fiel a ele sem que isso o obrigue a nada para conosco. Nós devemos obediência e serviço. Se conseguíssemos obedecer a todos os mandamentos de Deus - o que jamais conseguimos - ainda assim só poderíamos dizer, "Eu fiz apenas o meu dever". Não podemos obrigar Deus a nos recompensar em nada.


    O próprio Deus declarou a sua liberdade de qualquer obrigação quando disse a Jó: "Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu" (Jó 41.11). Deus não estava declarando um princípio teológico abstrato; ele estava repreendendo uma atitude de "não estou recebendo o que mereço" da parte de Jó. Jó, ao se defender das falsas acusações dos supostos amigos, tinha deixado uma atitude de graça e passado a achar que merecia tratamento melhor da parte de Deus. Ele caiu da posição de "o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!" para uma atitude que dizia, "De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus" (Jó 1.21; 34.9).

    Durante o tempo do seu sofrimento, Jó havia saído da posição de um trabalhador da décima primeira hora e adotado a postura de "nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia" (Mt 20.12). Deus tratou diretamente da atitude de Jó. Se Deus fosse tratar de nós como fez com Jó, quantos de nós receberíamos reprimenda semelhante? Pela pena inspirada do apóstolo Paulo, o Espírito Santo afirma a sua liberdade de qualquer obrigação para com os homens quando ele pergunta: "quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?" (Rra 11.35). Essa declaração não foi feita num vácuo. Paulo esteve tratando da difícil questão do futuro dos judeus em face da aparente rejeição em favor dos gentios. Não importa o que pensamos a respeito do ensino sobre os judeus em Romanos 9-11 (uma questão a respeito da qual muitos cristãos discordam), o princípio é claro como cristal: Deus não deve nada a ninguém.

    A sociedade moderna incentiva a idéia de merecimento. As pessoas mais velhas acham que merecem certos benefícios do governo. As pessoas de meia-idade sentem que merecem generosos benefícios de saúde e aposentadoria dos seus empregadores. Os adultos mais jovens acham que merecem gozar imediatamente do mesmo padrão de vida que os seus pais levaram anos para conseguir. E os jovens acham que merecem quaisquer luxos materiais que quiserem.

    Muitos estudiosos da nossa cultura se preocupam com esse sentido de "direitos" e expectativas que domina toda a nossa sociedade. Mas para os cristãos, essa atitude de merecimento é especialmente negativa para a vida espiritual. Por um lado, Deus é quem supre todas as nossas necessidades e desejos. Toda boa dádiva vem dele, não importa o meio imediato pelo qual o presente vem. Como disse Tiago: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tg 1.17). Porém, Deus em sua providência quase sempre usa uma pessoa ou instituição ou outro meio humano para suprir as nossas necessidades. No final, é ele que dá ou nega o que desejamos ou pensamos necessitar.

    Portanto, um alto sentido de expectativas e direitos, embora aparentemente dirigido a alguma pessoa ou instituição, na verdade é dirigida contra Deus e sua obra de providência na nossa vida. Se não achamos que recebemos o que pensamos ter o direito de esperar, no final, foi Deus que não nos deu.

    Mais importante ainda, esse sentido de direito, que inicialmente poderá ser dirigido a outras pessoas ou instituições, quase invariavelmente acaba sendo transferido diretamente para Deus. Começamos a exigir os nossos "direitos" diante de Deus do mesmo modo que exigimos das pessoas. Já é má a atitude de "O mundo me deve alguma coisa só pelo fato de eu existir", mas ter a atitude de que Deus nos deve algo é extremamente perigoso para a nossa saúde espiritual. Isso estraga o nosso relacionamento com Deus, anula a nossa efetividade no ministério, talvez nos tornando amargos e ressentidos. Diferente do governo, ou da escola, ou família, ou patrão, Deus não "cede" ao nosso sentido de direitos nem responde à táticas de pressão. Na batalha de "direitos" contra Deus, nós nunca ganhamos. Ele se preocupar muito com o nosso crescimento espiritual para permitir que isso aconteça.


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