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    Deus Restringe o Pecado pela Graça Comum – Abraham Kuyper


    De um modo similar, Deus através da sua “graça comum” restringe a operação do pecado no homem, em parte quebrando seu poder, em parte domando seu espírito mal, e em parte domesticando sua nação ou sua família. Assim, a graça comum tem levado ao resultado de que um pecador não regenerado pode cativar-nos e atrair-nos pelo que é belo e cheio de energia, exatamente como acontece com nossos animais domésticos, mas isto certamente à maneira do homem. A natureza do pecado, contudo, permanece tão venenosa quanto era. Isto é visto no gato, que, devolvido à floresta, retorna a seu estado selvagem anterior após duas gerações, e uma experiência similar com relação a natureza humana tem sido experimentado neste momento na Armênia e em Cuba.

    Quem lê o relato do massacre de São Bartolomeu facilmente é inclinado a atribuir esses horrores ao baixo estado da cultura daqueles dias. Mas vejam! Nosso século 19 tem excedido esses horrores através dos massacres na Armênia. E quem leu a descrição das crueldades cometidas pelos espanhóis no século 16 nas vilas e cidades da Holanda contra idosos, mulheres e crianças indefesas, e então ouve as notícias do que ocorreu agora em Cuba, não pode deixar de reconhecer que, o que foi uma desgraça no século 16, tem se repetido no século 19. Onde o mal não vem à superfície, ou não manifesta-se em toda sua horribilidade, nós não devemos isto ao fato de que nossa natureza não é tão profundamente corrupta, mas somente a Deus, que, por sua “graça comum”, impede que as chamas da fogueira se alastrem sem controle.


    E se vocês perguntam como isto é possível, que de tal modo a partir do mal restringido algo possa surgir que atrai, agrada e interessa a vocês, tomem então como uma ilustração a balsa. Este barco é colocado em movimento pela correnteza, a qual o levaria rapidamente como flecha rio abaixo e o arruinaria; mas por meio da corrente à qual ele está preso, o barco sobe seguramente para o lado oposto, compelido para frente pelo mesmo poder que de outro modo o teria destruído. Deste modo Deus restringe o mal, e é ele que extrai o bem do mal; e enquanto isso nós calvinistas nunca descuidamos em acusar nossa natureza pecaminosa, todavia louvamos e agradecemos a Deus por tornar possível aos homens habitarem juntos numa sociedade bem ordenada, e por restringir-nos pessoalmente de pecados horríveis. Além disso, nós agradecemos a ele por trazer à luz todos os talentos escondidos em nossa raça, desenvolvendo por meio de um processo regular a História da humanidade, e assegurando pela mesma graça, para sua Igreja na terra, um lugar para a sola de seu pé.

    Contudo, esta confissão coloca o cristão numa posição completamente diferente diante da vida. Pois então, em seu julgamento, não somente a igreja mas também o mundo pertence a Deus, e em ambos deve ser investigada a obra-prima do supremo Arquiteto e Artífice.

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