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    Cristo nossa Santidade – Jerry Bridges


    O apóstolo Paulo escreveu: "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (ICo 1.30). É o próprio Deus que nos escolheu em Cristo.
    Porém, a verdade que desejo destacar na passagem é que Cristo Jesus se tornou nossa justiça, santidade e redenção. Que Cristo é nossa justiça é uma verdade aceita e bastante entendida e a base da nossa justificação. Mas Cristo é também nossa santidade. Esse fato não é tão bem entendido. Todo crente busca Cristo somente para ser justificado, mas não tantos o procuram para serem santificados diante de Deus. A bendita verdade, porém, é que somos santificados em Cristo, do mesmo modo que somos justificados nele.
    Em nós mesmos, à parte de Cristo, somos culpados e imundos. Somos culpados de quebrar a lei de Deus e somos imundos aos olhos de Deus pelo efeito vil e poluidor do pecado. Precisamos tanto do perdão da culpa como da purificação da sujeira. Pela justificação, somos perdoados e declarados justos no tribunal de justiça de Deus. Pela perfeita santidade de Cristo, a nossa sujeira moral é removida, e nos tornamos aptos para entrar na presença de um Deus infinitamente santo e gozar comunhão com ele.


    Hebreus 10.10, 14 nos ajuda a ver esse aspecto objetivo da santificação - santíficação essa que temos somente em Cristo. O versículo 10 diz: "Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas". Observe que nós temos sido santificados. Isso fala de uma obra acabada. Aqui a ênfase está na santidade que temos em Cristo por meio do seu sacrifício único.

    Por outro lado, o versículo 14 diz: "com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados". Estamos sendo santificados - a obra do Espírito Santo na santíficação progressiva. Mas esse versículo também se refere à santíficação total e objetiva em Cristo quando fala daqueles que ele aperfeiçoou para sempre. Assim, num aspecto da santíficação, você já é santo porque a santidade de Cristo lhe foi imputada. Você foi aperfeiçoado para sempre. Noutro aspecto, você está sendo feito santo dia a dia pela obra do Espírito Santo que nos dá a vida de Cristo.

    A santidade deve ser o objetivo da nossa vida diária. Para viver pela graça, porém, jamais podemos olhar a obra do Espírito Santo em nós como base para o relacionamento que temos com Deus. Sempre temos de olhar para fora de nós, para Cristo. Jamais seremos suficientemente santos pelos próprios esforços de nos aproximar de Deus. Só somos santos por meio de Cristo.

    Duas passagens paralelas nas cartas de Paulo aos Efésios e aos Colossenses devem nos encorajar:

    Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (Ef 1.4).

    Agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis (Cl 1.22).

    Ambos os versículos ensinam que somos santos e inculpáveis perante Deus. Parece um paradoxo dizer que somos santos aos olhos de Deus. Como nós, que não só somos culpados como também moralmente imundos, podemos ser santos à vista Daquele cujo olhar penetra o nosso coração, que conhece todo motivo e pensamento, como também as nossas palavras e os nossos atos? A resposta está na união com Cristo. Deus vê a santidade de Cristo como a nossa santidade. Disse Arthur Pink: "Na pessoa de Cristo, Deus contempla uma santidade que suporta o mais profundo escrutínio, sim, que alegra e satisfaz o seu coração, e o que quer que Cristo seja diante de Deus, ele o é para o seu povo".

    Muitos cristãos cresceram em lares em que a aceitação por parte dos pais era baseada, em grande parte, no desempenho atlético, acadêmico, musical ou algum outro padrão de realização. Muitas vezes, nesse ambiente de desempenho, eles nunca sentiam que estavam à altura dessas expectativas, por mais que fossem bem-sucedidos. Mais tarde, eles transferem esse sentimento de inadequação ao relacionamento com Deus. Eles continuamente se perguntam: Será que Deus se agrada de mim? Será que ele sorri para mim com o favor do Pai?

    A resposta é um sim sem reservas. Deus sorri para nós com favor paternal. Ele se agrada de nós porque ele nos vê como santos sem mácula em Cristo. Quer falar sobre desempenho? Considere que Jesus pode dizer, sem nenhuma pretensão: "eu faço sempre o que lhe agrada" (Jo 8.29; ênfase acrescentada). Quando o pai olha para nós, ele não vê o nosso desempenho miserável. Em vez disso, ele vê o perfeito desempenho de Jesus. E, por causa da santidade perfeita de Jesus, ele nos vê como santos e sem mácula.

    Eu gosto da tradução de Efésios 1.6 na versão King James: "para o louvor da glória de sua graça, pela qual ele nos tornou aceitos no seu amado" (ênfase acrescentada). Mais diretamente: Deus nos tornou aceitáveis a ele pela nossa união com Cristo. Jamais seríamos aceitáveis por nós mesmos. Nunca conseguiríamos, para usar uma figura de linguagem, "limpar a nós mesmos".

    Quando eu dou palestras em muitas conferências e retiros, sempre busco a capacitação de Deus e a sua unção sobre as minhas mensagens, e quero que o meu motivo seja estritamente glorificar a Deus e edificar o seu povo. Mas nunca o é completamente, porque, lá no fundo, também quero sucesso como professor. Por mais que eu tente descartar essa motivação escusa, sei bem que jamais conseguirei me purificar totalmente dessa motivação.

    Essa é apenas uma de muitas ilustrações que eu poderia dar da minha própria vida para mostrar como nunca chegamos a um ponto de olhar para dentro e encontrar a santidade necessária para nos colocarmos em pé diante do Deus santo. Porém, em sua graça, Deus nos deu uma perfeita santidade na pessoa do seu Filho. Pela união com Cristo, fomos santificados.

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